segunda-feira, 21 de março de 2016

Por que amamos demais?

No meu próximo texto, escreverei sobre o desprazer do amor.

(parece até título de novela mexicana...)

domingo, 20 de março de 2016

Odeie seu ódio?

"Odeie seu ódio"

Você já deve ter lido estra frase em alguma parede de sua cidade. Caso não tenho se deparado com ela, já deve ter escutado algum conhecido reprovar seu próprio ódio, ou do próximo. Eu mesmo escutei, na semana passada, por meio de uma amiga, que o ódio é um sentimento terrível, responsável pelas mais brutais violências e pelas maiores desgraças nas relações interpessoais, e que, por isso, deveria ser mantido sob permanente vigilância.

De certa forma, esta informação não deixa de ser verdade, especialmente no atual momento de crise política na qual nos encontramos, onde não raro a intolerância e o preconceito prevalecem. 

Além deste, outros exemplos poderiam ser descritos, mas penso ser desnecessário, uma vez que todos eles teriam, como produto final, a destruição, de si mesmo ou do outro.

Como devem saber, trabalho na temática da violência há mais de uma década. Escuto, diariamente, relatos de sofrimento e de vazio conjugados à revolta e ao desejo de vingança, proferidos por vítimas que desejam, imperiosamente, ocupar o lugar de sujeito, de ativo, de autor da violência: uma forma de deixar de sofrer.

Lembro-me de uma mulher, cujo filho de vinte e poucos anos fora assassinado a facadas na véspera de Natal, descrever com detalhes a maneira pela qual gostaria que o autor do homicídio contra seu filho seria assassinado por ela: a facadas, cortado pedaço por pedaço, talvez até se parecer com a vítima, a mulher, que também se encontrava em pedaços após aquela perda única e eterna.

Se você leitor se assustou com o parágrafo acima, fique tranquilo. Quanto mais podemos falar sobre nosso ódio, mais difícil será, para nós, atuá-lo. Minha função principal, como psicanalista, foi de suportar aquele relato de ódio, sobreviver a ele, deixá-la falar todos os detalhes até que pudesse ir embora, para voltar na semana seguinte. Aos poucos, aquela mulher deixou de descrever seu desejo de vingança, aos poucos sendo transformado em desejo de justiça, passando do lugar de vítima para o lugar de sobrevivente, onde eu também me encontrava.

É nesse sentido que poderia dizer, propositalmente de forma ambígua, que trabalho COM violência, e você, leitor ou leitora, não precisa ser psicanalista, nem trabalhar com o que eu trabalho para viver tudo isso. Da minha parte, os relatos de uma clínica do excessivo exigem de mim uma escuta e uma disponibilidade violenta para com o outro, da mesma maneira que uma cesária exige do médico considerável violência para sua realização. E aí também está o ódio, a favor da construção e da vida.

Por isso, antes de odiar seu ódio, procure olhar um pouco mas atentamente à sua volta. Você o encontrará nos lugares mais inesperados: nas mãos de uma excelente cozinheira,  no suspiro profundo de um atleta, no padedê de uma bailarina. 

Também sob a ponta de meus dedos, sem o qual nada teria sido escrito agora.

domingo, 13 de março de 2016