quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Governar e Governar-se

A capacidade de governar está diretamente ligada à capacidade de governar-se. E governar-se significa, entre outras coisas, a possibilidade de integrar elementos positivos e negativos, características de homens e mulheres íntegros. Quem sabe governar-se sabe entrar em contato com suas emoções sem medo da desintegração. Sabe acolher o próprio ódio, e com ele construir. Sabe amar, sem ceder totalmente seu lugar.

Governar seria então, entre outras coisas, a capacidade de articular aliados e oposicionistas para um objetivo comum, visando a construção ou reconstrução, e não somente a destruição. Governar é fazer contato com quem pensa diferente, e saber conviver com ele, sem desejar eliminá-lo com um silêncio (ou um grito). É ouvir o que não se quer e por vezes falar com quem mal lhe escuta, mas não desistir. Isso não se dá sem grande esforço e traquejo no trato com as diferenças, algo que Dilma e Cunha não souberam fazer, ou não desejaram fazer, na minha opinião.

Sou contra o impeachment. Descontinuar um governo, por mais que catastrófico que seja, pode ser ainda mais destruidor. Todo mundo sabe que as coisas sempre podem piorar. Além disso, não existem garantias de melhorias na gestão. 

Porém, me desculpem amigos(as), política para mim não é nem nunca será um jogo de "fla x flu". Não ser a favor da saída da presidente não me faz aliado dela, ou de seu partido. Me caracteriza apenas como uma pessoa que aposta na política como uma arte, a arte de reconhecer e integrar os opostos, em nós ou em nossas nações, e não o contrário, que reforça a segregação e a superestimação de quem é igual a mim e pensa da mesma maneira.

Governar é fazer com e também fazer sem. É saber sobreviver ao ódio da população sem desfalecer, é não depender da aprovação da maioria para ser o que se é ou fazer o que se faz. É não ter medo de ser impopular quando todo mundo pensa a mesma coisa ou mesmo voltar atrás depois de uma decisão equivocada. 

É não se envaidecer com o poder, pois com ele vem também a solidão. Quem pode está sozinho, e governar-se ou governar também é saber ficar só.

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