sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O medo

O medo da mudança, o medo de permanecer. O medo de amadurecimento, o medo de depender. O medo da ofensa, o medo de não falar. O medo da experiência, o medo de gostar. O medo do ódio, o medo de morrer. O medo de vida, o medo de amar. O medo da conquista, o medo de perder. O medo da tristeza, o medo de sofrer. O medo da felicidade, o medo de um dia acabar.

O medo da dor, este sim o antecessor de todos os medos, subjaz por trás de todos os outros que nos visitarão ao longo da vida para nos lembrar o quão somos pequenos diante dele, o quão somos indefesos diante daquilo que nunca lidamos e teremos que lidar.

Por falar em medos, nunca me esqueci da brincadeira que fazíamos com nossas sombras, geralmente para mostrar as crianças (e também para alguns adultos) que aquela figura dentada e mortífera que se apresentava projetada na parede querendo nos devorar em pedaços era na verdade um par de mãos arqueadas que abriam e fechavam sem a menor possibilidade de destruir.

Ás vezes, o medo é o que a realidade não conta,
O medo é um segredo,
e ele pode sobreviver ou não dependendo também da nossa capacidade de aproximação.

Como um quarto escuro e bem fechado, um presente bem embrulhado,
aguardando seu dono.