domingo, 26 de maio de 2013

Videogame, pega-pega...o brincar de viver e morrer

Walter Benjamin (1892-1940), filósofo alemão, dizia que a graça de toda e qualquer brincadeira não se localiza na qualidade de um brinquedo, mas sim na repetição que ele proporciona. Explico melhor: para ele, o grande barato da brincadeira é a possibilidade de "jogar mais uma vez".

As brincadeiras de crianças oferecem alguns exemplos interessantes sobre o assunto: pega-pega e esconde-esconde, por exemplo, são justamente aquelas que enunciam no próprio nome a dinâmica humana de repetir.

Nos videogames (que na minha opinião são um dos instrumentos mais eficientes a favor da paz e da não violência) brincamos de viver e morrer, ganhamos uma vida e vencemos a morte que a realidade não nos permite vencer. Também por meio do videogame matamos nossa vontade de matar e tal só pode ser considerado uma brincadeira por nos oferecer a possibilidade de jogar de novo. Em nenhum jogo o "game" é "over" de fato.

Mas por outro lado, apelamos para a repetição não apenas por prazer, por desprazer também. Freud já dizia que o prazer não é a única condição para a repetição. As vezes repetimos situações e comportamentos que nos geram desprazer.

Independentemente de prazer ou desprazer, repetimos porque essa é a forma que encontramos de nos enxergar, nos encontrar, ou melhor, re-encontrar...nos encontrar de novo! A repetição é a porta de entrada de nosso si-mesmo e pobres de nós se não tivéssemos o brincar a nosso favor...não teríamos mais uma chance, nem a nossa vez de jogar.

Obs.: aos interessados no assunto, sugiro que escutem a música "Brincar de viver" de Maria Bethânia, preferencialmente mais de uma vez!