domingo, 23 de dezembro de 2012

A análise e as interpretações dos leigos



Nunca me considerei especial por analisar ou interpretar. Mesmo sendo psicólogo, tal idéia nunca me passou pela cabeça. Talvez porque penso que analisar e interpretar são comportamentos demasiado humanos, portanto demasiado democráticos para serem especiais.

Não raro, sou colocado numa situação de maior credibilidade por ser psicólogo. Minhas análises ou interpretações são consideradas mais válidas que as de outras pessoas, as chamadas leigas, por elas mesmas.

Mas sabe de uma coisa? Eu sempre considerei o leigo especial de fato. Ele analisa e interpreta porque sabe que esta é a sua natureza, não sua profissão. Ele analisa e interpreta porque tal compreensão faz parte da sua necessidade.

Todo leigo analisa por necessidade, não por devoção. E quem sou eu para negar ou desqualificar tal coisa? Rechaçar necessidade é uma grande desumanidade!

Pois que analisem! Que interpretem! Que sejam psicólogos de suas próprias desrazões.

É por isso que costumo dizer aos leigos para se sentirem a vontade para analisar e interpretar. Que façam à sua vontade, porque sua vontade é fome de clareza, é fome de vida sob medida.

Por vezes, medida que nenhum psicólogo poderia oferecer.

O Cuidado


Não cuidamos daquilo que não nos sentimos responsáveis. Cuidamos porque sentimos que aquilo faz parte de nós, precisa de  nós, depende de nós para continuar existindo.

Cuidamos não só do que amamos. Às vezes, cuidamos daquilo que odiamos, porque o cuidar não pressupõe amor, o cuidar pressupõe responsabilidade. Pressupõe maturidade para saber que a minha parte conta (e muito) para a manutenção, a existência ou a extinção aquilo que será cuidado.

Sim, porque ás vezes cuidamos de extinguir. Cuidamos de destruir.

Construindo ou destruindo, amando ou odiando, só cuida quem conhece seu potencial, quem se reconhece.

Cuidamos do que podemos. Cuidado não tem nada a ver com querer. Cuidado não é desejo. Cuidado é condição. E por isso, não cuidamos de alguém ou de algo que queremos. Cuidamos daquilo que podemos, daquilo que um dia, mais cedo ou mais tarde, também cuidará de nós.