quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Te odeio...tranquilamente"


Ontem, durante uma conversa sobre animosidades nas amizades, fiquei pensando sobre o lugar do ódio nas relações interpessoais. Não no ódio como sentimento integrante destas relações, mas sobre a ambivalência que estas podem ou não sustentar, sobretudo quando podemos afirmar algo como: “gosto de determinada pessoa, mas também a odeio de vez em quando”.

A ambivalência certamente é uma conquista do amadurecimento. Ela é bem diferente da ambigüidade, uma vez que esta última não delimita com clareza as coisas. Quando falamos de ambivalência, falamos de sentimentos claramente opostos, mas que estão integrados em si.

Somada a confiabilidade, a ambivalência de sentimentos nas relações interpessoais ganha uma característica importante: uma espécie de licença para odiar: licença dada por nós a nós mesmos, uma espécie de ódio que não nos consome por dentro porque sabemos que ele não fará mal a ninguém. Ele vai passar e quem sabe voltar, mas sem destruir. Este é o diferencial das relações ambivalentes.

O que nos faz grandes amigos e grandes amantes não é somente a possibilidade que temos de amar intensamente as pessoas, mas a possibilidade de odiá-las, só que com tranqüilidade.

8 comentários:

  1. "O que nos faz grandes amigos e grandes amantes não é somente a possibilidade que temos de amar intensamente as pessoas, mas a possibilidade de odiá-las, só que com tranqüilidade."

    VC ESCREVEU PRA MIM! FATO!

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  2. Que legal Roddy! Parece que nossas idéias se encontraram hoje. Que bom que você sabe o que vem a ser esta espécie de "ódio particular" ;-). Abraço.

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  3. O Fabio de Melo tem uma frase muito interessante que diz: "O ódio é uma forma tão estranha de amar", faz todo sentido e acho que tem bastante a ver com o que você escreveu. Aliás aproveito para compartilhar a música inteira que mais que uma música é uma bela poesia.

    Abraço Brunão, sou seu fã, hehehe....

    Contrários

    Só quem já provou a dor
    Quem sofreu, se amargurou
    Viu a cruz e a vida em tons reais
    Quem no certo procurou
    Mas no errado se perdeu
    Precisou saber recomeçar

    Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
    Porque encontrou na derrota algum motivo pra lutar
    E assim viu no outono a primavera
    Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

    Que o verso tem reverso
    Que o direito tem um avesso
    Que o de graça tem seu preço
    Que a vida tem contrários
    E a saudade é um lugar
    Que só chega quem amou
    E o ódio é uma forma tão estranha de amar

    Que o perto tem distâncias
    Que esquerdo tem direito
    Que a resposta tem pergunta
    E o problema solução
    E que o amor começa aqui
    No contrário que há em mim
    E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

    Só quem soube duvidar
    Pôde enfim acreditar
    Viu sem ver e amou sem aprisionar
    Quem no pouco se encontrou
    Aprendeu multiplicar
    Descobriu o dom de eternizar

    Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
    Porque aprendeu que o amor só é amor
    Se já provou alguma dor
    E assim viu grandeza na miséria
    Descobriu que é no limite
    Que o amor pode nascer

    (Pe. Fabio de Melo)

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  4. Olá Eduardo. Obrigado pela mensagem. Concordo com o que diz a música: a vida tem contrários, e não necessariamente eles devam ser excludentes. Foi isso o que quis dizer ao escrever o nosso texto sobre a beleza, e agora sobre o ódio e o amor, ou seja, sobre o valor da ambivalência. Ontem assisti o filme "Cisne Negro" e penso que ele é um importante exemplo das loucuras as quais somos submetidos quando estes contrários se tornam cindidos. Obrigado pela participação e abraço!

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  5. Interessante seria poder saber se tal situação já aconteceu com você ou poder saber no ato que esta ocorrendo...afim de colocar as coisas em pratos limpos.

    Acredito que por de traz desse tipo de situação também existe a relação cultura e acentuação ao que de fato é valorizado e o menosprezo por aquilo que é considerado ''incoerente'', gerando tal ambivalência ou ambiguidade. É como se lida que defini o conceito.

    Vale refletir. Não é timtim?!

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  6. Na verdade esta situação já aconteceu comigo e acredito que com o amadurecimento ela tenda a ser cada vez mais recorrente. Talvez ter a consciência desta ambivalência seja um importante passo para colocar as coisas "em pratos limpos", especialmente para sí mesmo.

    Tentei escrever um pouco sobre o seu segundo parágrafo, mas acho que não consegui compreender o que você quis dizer. Será que você não poderia escrever novamente?

    Obrigado pela participação e saiba que faz algum tempo que ninguém me chama de Tintin!

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  7. Amigo anônimo, agradeço a sua preocupação. Não costumo escrever sobre mim no blog (pelo menos não diretamente! rsrsrs).

    Mais uma vez agradeço sua participação e preocupação para comigo.

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  8. Bruno,
    excelente reflexão. Parabéns pelo texto.

    Alexandre.

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