domingo, 29 de abril de 2012

Sobreviventes


Havia feito aquela pergunta da postagem anterior após assistir um documentário de uma querida psicanalista chamada Miriam Chnaiderman, chamado “Sobreviventes”. Nele, uma porção de pessoas que experimentaram uma situação limite falam sobre como alternaram seus lugares, de vitimas para sobreviventes.

É um documentário tocante, não apenas pelos relatos de cada pessoa, mas pelo cuidado da diretora para com a ambientação destas, as quais se encontram sentadas numa poltrona, dentro de um túnel onde ao fundo se emana uma luz. As participantes não estão próximas da escuridão do início do túnel, nem próximas da luz no fim dele: se encontram no devir, no entremeio destes dois extremos.

É essa a idéia que fica para o espectador: uma pessoa que sofre uma situação limite de violência, de desconsideração, de discriminação nunca mais volta a ser a mesma pessoa. Ela, na melhor das hipóteses, sobrevive neste entremeio, sobretudo quando consegue descrever sua experiência, um pouco aliviada pode deixar a escuridão do desespero inicial, e desejosa por atingir a iluminação total de seus porquês (Por que comigo? Por que assim?).

Iluminação que talvez nunca poderá ser alcançada de maneira plena.
Mas que já indica o caminho da transformação e do que já foi transformado.
Sobreviventes são iluminados.

P.s: vale a pena assistir um trecho do documentário no Youtube:

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