segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Hay que endurecerse sin perderse

Há algumas semanas escrevi no Facebook uma frase que teve certa ressonância. Não me lembro exatamente como eu a escrevi, mas era algo assim:

“Conheço muitas pessoas que se orgulham de ter enrijecido ao longo da vida. Eu me orgulho exatamente pelo contrário: amargar é fácil. O difícil é perder a ternura”.

Um amigo associou esta frase a uma frase de Che Guevara, que dizia: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. A associação foi inevitável, uma vez que as frases são bastante similares, mas penso que elas não são iguais, sobretudo porque eu não estava me referindo à necessidade de endurecerse. Muito pelo contrário, era essa mesma necessidade que eu havia julgado como fácil.

De qualquer forma, esta discussão não é importante. O que quero escrever aqui não se concentra na diferença das sentenças, mas sim no sentido que elas tem e na ressonância que elas encontram em seus leitores.

Não sou nenhum profundo conhecedor da história de Che Guevara, mas sei que ele foi um homem de vida política voltada para a luta contra a alienação e a injustiça social. Foi um homem acostumado às tempestades inerentes ao viver e provavelmente sabia que, para um lutador, a maior derrota que se pode sofrer é a derrota do si mesmo.

Enrijecer sem perder a ternura era talvez o seu maior desafio: lutar sem se perder, lutar sem se esvair, lutar sem enlutar-se da pessoa que ele sempre foi, evitando tornar-se aquele que perde sua espontaneidade e vive a vida apenas reagindo às interferências do mundo externo.

Este desafio, observando mais de perto e somado com uma pequena contribuição psicanalítica, não se confere apenas a Che Guevara, mas a todos que vivem e enfrentam cotidianamente o maior desafio do humano desde seu nascimento até a sua morte: continuar a ser aquilo que é (reside aí a ressonância da frase?).

Penso que era isso que Che Guevara queria dizer e hoje, todos nós também queremos:

Apesar do abandono, apesar da violência, apesar do abuso, do desrespeito, da insensibilidade, da corrupção, da injustiça, da perversão. Apesar dos amores rompidos e das paixões desencantadas e mesmo apesar de você,

lutarei para continuar a ser quem eu sou.

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