domingo, 21 de agosto de 2011

O tecer e romper dos vínculos: o preço de um compromisso

Tenho certeza (e olha que certeza eu tenho poucas!) que você conhece alguém que tem medo de se relacionar. Não se relacionar no sentido de conhecer pessoas e estabelecer um vínculo oportuno e temporário, mas se relacionar compreendendo tudo aquilo que um relacionamento comporta: amor, ódio, desconfianças, brigas, traições, tempos, medos e toda uma sorte de ambivalências.

Logo de início supomos que tais pessoas podem não ter experimentado relações de apego muito agradáveis. Por outro lado, podemos supor exatamente o contrário: o apego era agradável até demais, sendo a ansiedade de revivê-lo um grande problema a ser enfrentado.

Independentemente disso, existem aquelas pessoas que optam por evitar se envolver em novos relacionamentos, acreditando ser esta uma maneira melhor e mais segura de se viver, afinal de contas, não haverá relacionamento para sustentar e desvelar.

Este sustentar e desvelar se exemplifica como um processo de duas pontas, que parte do tecer dos vínculos até o romper dos mesmos. Estamos falando de um processo de conquista e perda, um processo de luta e de luto, o qual todo ser humano (e demais seres vivos) vivenciará ao longo de sua vida.

Luto – esta palavra, que a princípio podemos pensar que se aplica apenas a situações que envolvem morte, é parte integrante de todo relacionamento.

Desta forma, se localizarmos o luto como processo inerente a todo relacionamento, de pronto pensamos que estas pessoas de que estou falando na verdade não temem o relacionamento, mas o luto que cedo ou tarde advirá dele.

É inevitável não lembrar da famigerada frase do livro do Pequeno Príncipe, na qual afirma que “você é responsável por tudo aquilo que cativas”. Já escutei esta frase de pessoas felizes e romanticamente encantadas, que certamente ignoravam seu aspecto áspero e sóbrio: o preço de um compromisso.

Pois aquele que não quer mais se relacionar sabe que quando o amor é a sua conquista, o luto será o seu preço.

E quem estará disposto a pagar por isso, mais uma vez?

7 comentários:

  1. Se/então: esta lógica parece ser impressa de forma corrente em minhas postagens. Não excluo as demais lógicas, mas esta é inegavelmente verificável não é mesmo?

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  2. Pois é, Bruno. Concordo com vc e estou disposta a pagar o preço. Afinal, não se trata apenas de pagar. A troca vale a pena, pois viveremos diversos lutos no decorrer da vida.

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  3. Ligia:

    De fato, não se trata apenas de pagar, senão tudo isso não teria sentido. Quem está disposto a pagar está disposto a vincular, disposto a viver.
    Obrigado pelo comentário.

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  4. Na sequencia, li esta frase.... e achei que tem tudo a ver:

    O problema da humanidade é que tem gente demais querendo alguém para amar, e gente de menos querendo se envolver.

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  5. Sim anônimo, realmente acredito que tem a ver com o texto. Ter alguém para amar não significa necessariamente se envolver. E porque não se envolver?
    Obrigado pelo comentário.

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  6. Por enquanto é isso que consigo reproduzir:

    "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor
    que tem que ser vivido até a última gota.
    Sem nenhum medo. Não mata."
    Clarice Lispector

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  7. Loparic, professor da PUC, uma vez disse que "viver é sofrer". Na época, me revoltei, hoje ando pensando seriamente nisso. Viver intensamente não mata, mas faz sofrer, sofrer aqui no sentido de sentir, ressoar.
    Quem quer sentir? Ou quem tem condições de sentir?

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