domingo, 22 de maio de 2011

Só Podia Ser Você Mesmo!

Quando penso nesta frase, logo me vem à cabeça um enunciado de advertência aproximada à reprovação, do tipo: olha só o que você fez! Quantas vezes nossos pais ou amigos já falaram esta frase para demarcar algo que verificaram como sendo único?

Na verdade, único não é a palavra mais apropriada aqui. O adjetivo ainda melhor é singular. Então, quando eu troco a palavra único pela palavra singular, eu estou incluindo propositalmente a pessoa e sua criatividade.

Penso que a partir daí esta afirmação perde seu peso de reprovação, ou bronca, e ganha um sentido de enunciar que a presença do autor da arte está lá, e que de fato, só ele poderia fazer aquela arte, porque a arte é dele e de mais ninguém. A arte é ele!

Experimentemos então concordar com esta frase:

Sim, só podia ser eu mesmo! Este sou eu.

P.s.: dedico este texto a Paula Martins de Freitas, querida amiga desencontrada, que sem querer, ajudou-me a me encontrar, inusitadamente.

sábado, 7 de maio de 2011

Não dizer o que se pensa

Meu professor de Psicopatologia disse uma vez: quem diz o que pensa é criança!

Nunca me esqueci desta fala e por vezes me lembro dela, sobretudo nos momentos em que confirmo algumas de minhas suspeitas: existe uma necessidade de se dizer tudo aquilo que vem em mente, sem rodeios, sem pestanejar e sem perder tempo.

Não sei explicar ao certo, mas parece uma busca de uma espécie de verdade absoluta, ou ainda, parece uma busca de algo realmente verdadeiro, algo vivo, que se sobressai.

Mas por que temos que falar tudo o que pensamos? E quem disse que aquilo que pensamos é verdade, de verdade? Afinal, que verdade é essa?

Concordo com meu querido e saudoso mestre, e acrescendo a seguinte idéia: quando demandamos obstinadamente ouvir e dizer o que pensamos, corremos o risco de nos alimentarmos de coisas cruas, sem sentido. E isso é bem diferente da mentira, que não tem nada de cru.

Ou seja, não se conquistam verdades nem mentiras.

Depois de crescidos, temos que nos contentar com os critérios das relações sociais. Nem sempre podemos dizer o que pensamos, mas podemos dizemos aquilo que é possível dizer, e isso não deixa de ser inerente do próprio pensar.