sábado, 16 de abril de 2011

Todas as idades

Alguns pais gostam de falar com muito orgulho que o filho, apesar de pueril, possui uma importante capacidade de compreensão e desenvoltura. Dizem eles que o filho às vezes nem parece que é criança. Porém o contrário também acontece: alguns pais têm filhos “fisicamente” adultos, mas estes se comportam de acordo com a limitação de seus irrisórios recursos internos.

Por vezes, encontramos pessoas que nos dizem que parecemos mais velhos ou mais novos do que a nossa idade cronológica poderia presumir. Reparam na quantidade de cabelos brancos, algumas rugas próximas aos olhos e outros sinais estritamente físicos.

Mas a condição física significa uma pequena amostra de idade, ao compararmos com a postura que cada um tem frente a sua vida e suas coisas. O humor, por exemplo, transmite sensações bastante joviais, enquanto uma gélida seriedade pode transmitir algo realmente oposto. E tudo isso pode fazer parte de uma mesma pessoa.

Quando não excludentes e enxergadas na totalidade do humano, a juventude e a velhice ganham outro sentido, como se ambas coexistissem em uma vida que não caminha em via de mão única para um lugar determinado e retilíneo. Mas sim como um percurso de pelo menos de dois caminhos, indo e vindo, e indo e vindo denovo... (Haha! Lembrei do trajeto de um trem. Quanto transtorno ele causa quando não sai do lugar!)

Enfim, talvez o bom mesmo é poder ter todas as idades. Por exemplo, se tenho 31 anos, posso gozar da prerrogativa de ter ás vezes 5 anos (quando estou me sentindo desamparado), ás vezes 15 anos (quando ouso agir de forma inconseqüente) , e as vezes 31 anos (quando lembro das contas que tenho que pagar).

Já imaginou perguntar a alguém: quantos anos você tem? E quantos anos você pode ter?

Você pode ter além ou aquém da idade que tem? Então acho que as coisas estão andando bem.

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