segunda-feira, 28 de março de 2011

Aos amigos, a Amizade

Eis aqui um conceito que quero problematizar, e vou tentar fazer isso da maneira mais simples possível, uma vez que tenho alto grau de comprometimento com a clareza de transmitir minhas idéias neste Espaço Potencial.

Andei pensando sobre a noção de amizade. É uma noção que envolve amor diferente, envolvimento diferente, intimidade diferente. É um relacionamento diferente daquele que temos quando nos apaixonamos por alguém.

Experimente se perguntar o que significa amizade para você? Companheirismo? Afinidade? Cumplicidade? Se você respondeu sim a estas características, eu concordo com você meu amigo.

Existem aqueles que têm outras idéias acerca do que é amizade: é um envolvimento que pode vir a ser sexual, um relacionamento potencialmente apaixonado, do ponto de vista erótico. Ou mesmo uma relação que só é de amizade porque outros fins não foram possíveis.

É neste ponto que eu gostaria de chegar, porque o que eu pensei sobre amizade e o que eu ouço falar sobre ela geralmente se divide em duas linhas de pensamentos: amizade como produto de uma transformação da libido, portanto uma espécie de amor inibido, e amizade como produto da própria libido, uma espécie de amor concretizado em si.

Se perguntássemos a Freud (idealizador do método psicanalítico) ele concordaria com a primeira noção descrita acima: as amizades significam aquilo que restou de um investimento sexual negado: não tenho como possuir sexualmente aquele objeto, então possuirei tenramente aquele objeto. Assim mantenho um amor, menor, mitigado, mas existente.

Tenho certa incapacidade de conceber a noção de amizade desta maneira, sobretudo porque me dá a impressão de que, se estiver correta, significaria então que todos os amigos que temos a nossa volta seriam inconscientemente frustrados sexualmente conosco.

Chega a ser engraçado! Não entendo a amizade com uma finalidade insatisfeita, mas algo que se satisfaz por si mesma, sem excluir uma atração sensual, que também faz parte de relacionamentos amistosos e não necessariamente sexuais.

Envolve companheirismo, afinidade, cumplicidade, mas tem o diferencial da liberdade, que possibilita sensações de prazer intensas e não diminuídas.

Isso é amizade para mim, o resto é, definitivamente, outra coisa.

sábado, 26 de março de 2011

Criar e recriar é divino. É brincar de ser Deus sem deixar de ser homem. É fazer o todo sem deixar de ser parte.

Duvido daquele que, ao conceber-se parte do e no mundo, não teima em brincar de ser Deus (de suas próprias coisas).

sábado, 12 de março de 2011

Sobre a capacidade de estar só

Sinto-me inclinado, não por acaso, a escrever sobre um tema contraditório: a capacidade de estar só. Quando converso com amigos não raro ouço frases do tipo: “não gosto de almoçar sozinho, não gosto de ficar sozinho, solteiro sim, sozinho nunca, é impossível ser feliz sozinho".

São posicionamentos que compreendem a solidão como conseqüência de um fracasso pessoal bastante amargo. Estar só significa estar perdido, negado, condenado ao vazio, não apenas em silêncio, silenciado.

Mas em Psicanálise a condição de estar só aponta para algo antagônico daquele descrito acima: estar só significa evolução no amadurecimento pessoal, uma condição especial de consistência do self (sí mesmo) e conseqüentemente resistência ao desfalecimento. Algumas pessoas, no entanto, não descrevem a possibilidade de estar só associada ao fracasso e ao medo.

Então, como entender isso? De início gostaria de dizer que meu intuito não é instruir alguém a almoçar sozinho ou ser feliz sem ninguém por perto. Deixo isso para a cultura do individualismo que já vivenciamos e que dela não compartilho.

Mas quero dizer que entendo isso da seguinte maneira: para estar sozinho é necessário alguém por perto. Um paradoxo curioso! Conseguimos ficar sozinhos quando temos a capacidade de perceber que existem recursos que orbitam o lugar que ocupamos e que deles podemos fazer uso quando necessário.

Sem esta capacidade, ou seja, sem alguém por perto, não podemos ficar sozinhos e assim precisamos estar ligados a alguém a todo o momento, uma vez que a possibilidade de se perder no vazio é iminente.

Então não sei responder aqui se é possível ou não ser feliz sozinho, almoçar sozinho, viajar sozinho...mas me limito a afirmar que é possível ESTAR sozinho.

Como estou agora, com você.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pró-(re)gresso

Para independer, é imprescindível depender.
Para escrever, é imprescindível ler.
Para regredir, é imprescindível viver.
Para renovar, é imprescindivel morrer...
O Espaço Potencial está de volta.