terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Divã

Existe um lugar de conforto e de entrega, capaz de permitir redesenhar toda uma tragetória de experiências, desde as mais primitivas até as mais elaboradas.

Um lugar mascarado (e ao mesmo tempo de desmascaramento), privado de contatos visuais com qualquer pessoa, que convida à introspecção e ao desafio de se enxergar sem a ajuda de qualquer tipo de espelho.

Que envolve e embala o corpo de maneira singular, como um colo que só que teve seria capaz de descrever minimamente.

Alguns o fazem de cama, e lá deixam derramar à sexualidade,
Outros o fazem de berço, e lá se entregam à instintualidade.

O importante é que ele está lá, convidativo até o mais angustiante silêncio.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nada mais que o fundamental

Se sentir convidado aos rebuscados modos de se descrever e descrever o outro é um grande perigo para qualquer Psicanalista que queira falar sobre a Natureza Humana.

Não existe outra maneira de concretizar um encontro senão concebendo-o como ele se apresenta, e acompanha-lo.

Não existe outra maneira de ser, senão por inteiro.

Seriam estas uma das fundamentações da clínica? Talvez sim. Dizem que o ato de clinicar significa debruçar-se, através da escuta. Clinicar é um ato mútuo de entrega, um ato de amor mal amado, um amor contratado.

Complicado? Possivelmente, mas não demais, para não parecer desesperançoso.

Só tem que ser fundamental, e para tanto, reivindica-se a serenidade da presença.